domingo, 31 de agosto de 2008

Lição de Ouro

Depois que o Galvão já entrou em todas as controvérsias e os apaixonados de plantão já deram suas louváveis opiniões, vou voltar ao tema: Olimpíadas. Diferente do que rolou por aí, vou me ater apenas aos fatos e deles extrair as lições.
Alguns ouros vieram, outros fugiram, lágrimas e lamentos ecoaram. A frustração não é só do atleta mas de toda a nação: Por que o ouro não veio? Primeira lição:
O importante é competir. Parece discurso de derrotado, mas para competir, é preciso ser competitivo. Merecer o topo do podium olímpico é um privilégio de poucos. Conquistá-lo e ainda mais difícil.
E se ouro lhe escapa entre os dedos? Resolve alguma coisa vir a público pedir desculpas? Segunda lição: Os heróis se esforçam para acertar,
mas reconhecem quando erram. Em um país onde o descaso e a corrupção já bateram recordes muito acima dos olímpicos, por que ninguém aparece na TV para chorar a culpa das calamidades ocorridas recentemente? As crianças que morreram de infecção hospitalar na Santa Casa de Belém, por exemplo. O diretor do hospital pediu demissão, os médicos entraram em greve e ninguém chora. No Rio de Janeiro, antes das Olimpíadas, o descaso com o combate à dengue levou até o Diego Hippólito pra cama por uns tempos. Cadê os heróis da saúde pra dizer que fizeram o possível mas não conseguiram evitar o pior?
E quanto a você? Anda ganhando o "ouro olímpico" das suas realizações pessoais? Anda chorando o choro dos campeões que "quase" ou está com o velho discurso do derrotado: "preciso de um aumento de salário", "as coisas nunca dão certo pra mim", "faltam oportunidades no mercado". Terceira lição: A medalha premia o resultado, o reconhecimento premia o esforço. Ninguém para pra ouvir "chororô".
Agora vem as eleições municipais. Ao contrário das Olimpíadas, onde é preciso ser o "top", a corrida eleitoral é encabeçada pelos mentecápitos e ridículos. Por que não aplicamos o "rigor olímpico" aos "pedintes de votos" com seus discursos batidos, mendicantes:
- Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas estou pedindo o seu voto.
- Conheça o passado do seu candidato. (porra, como se faz isso??)
- É preciso renovar! (discurso dos aspirantes a bandido)
- Tenho experiências de X mandato(s) (discurso dos bandidos profissionais)
- Sou honesto. (honestidade não é virtude, é pré-requisito pra se viver em sociedade)
Honesto, trabalhador, competente, todo mundo tem que ser. Para liderar a evolução social é preciso um pouco mais: saber quais os desafios a serem enfrentados e ter estratégias para isso. Estabelecer prioridades. Mesmo assim, o risco das coisas não darem o resultado planejado deve ser considerado.
Para os candidatos a "super-vereadores", vale lembrar que a lei orçamentária é de iniciativa do Executivo. Não adianta nada ir pra TV dizer que saúde, educação, segurança, transporte são as suas metas. Precisa conhecer os planos de governo dos candidatos a prefeito, dele sai o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, e finalmente, a Lei Orçamentária Anual. Os percentuais de gastos com funcionalismo público e com as principais áreas de atuação do estado estão definidos na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Ninguém pode apelar pra competência sem conhecimento técnico. Boa vontade ajuda, mas não "ganha medalha".
O que é mais importante para o país, o orgulho olímpico ou reverter o caos social no qual estamos imersos? Por que cobramos mais dos atletas do que dos políticos? Por que cobramos mais dos outros do que de nós mesmos? Esta é a mais triste de todas as lições: Cobramos de quem acreditamos que pode dar resultado. Nas sábias palavras de Fábio Vial: "Ninguém chuta o morto".
Acho que acostumamos a correr atrás. Temos a maior carga tributária do mundo e não temos serviços públicos dignos. Corremos atrás de plano de saúde porque a saúde pública está sucateada. Corremos atrás de educação privada porque a educação pública não prepara para o vestibular. Corremos atrás da segurança particular porque não dá pra contar com a polícia. De tanto correr atrás, esquecemos a lição de ouro: O Ouro é pra quem corre na frente.

Vou nessa, tenho que correr atrás também. Inté!!!

2 comentários:

Anônimo disse...

é... tens razao... o lado bom das coisas todos querem mostrar, falar, contar... mas o outro lado, o lado negativo fazemos questao de esquecer, de fingir que nao vemos....
é isso lindinho. bjo

guilhermepai disse...

esses dias num fórum virtual alguém lançou a pergunta: "Por quê nossos atletas choram tanto?" Ponderei em 3 frentes sobre a falta de senso de merecimento que convergem na origem e no destino: 1)o semi-amadorismo de nossos atletas ("eu vim do nada e treinei com todas as dificuldades e nem merceria estar aqui!"); 2)A afamada "origem latina" que aferventa o nosso sangue de barata ("Éssa vitória é da minha família e dos meus amigos..."; e 3)Nossa educação cristã que nos ensina que tudo é sobrenatural ("Foi Deus quem me colocou aqui e não quis nem saber daquele russo que se esforçou tanto quanto ou mais do que eu!"). Vc me conhece há muito e sabe que, apesar de "mitido" à revolucionário pós-anárquico-comunista, creio no mérito como critério indiscutível para a recompensa... Não há conquista real sem mérito... As excessões não são conquistas.. são possessões..